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sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Escrever no ecrã III

Acabada a leitura de:

Philippe Lejeune, «Cher Écran...»: Journal personnel, ordinateur, Internet, Paris, Seuil, 2000.

"Épilogue: 1999-2000"

Algumas ideias:

- A recepção na Web é, pode ser, íntima;
- O diário online levanta questões legais, nomeadamente de citação e de autoria;
- Estas questões são não apenas de direito, mas também morais, podendo justificar a autocensura, provocada tanto por timidez, como por respeito pelo outro; a autocensura também pode ocorrer no diário em papel, todavia, nessa forma de escrita a liberdade é maior;
- A escita no computador perde o traço, enquanto a escrita na Web perde a solidão;
- Contudo, na internet o grafismo e a personalização recuperam a singularidade de outro modo atribuída ao traço;
- Tanto a escrita no caderno como a escrita no ecrã revelam um ritmo interior;
- Conceito de intimidade em rede;
- Esta escrita liga-se, por vezes à doença; nesse caso, não se escreve a dor, mas sim a resistência à dor;
- Coexistência do gosto do secreto, ligado à vontade de autenticidade, e do desejo de ser lido por outrem;
- Hipertexto, índice [arquivo]: a releitura é un gesto natural do diarista, quer a escrita se faça em papel ou no ecrã;
- Manter um diário é construir-se na duração, mas demasiado diário pode "ossificar" a personalidade; são necessárias paragens;
- Diário - dialéctica do espaço e do tempo;
- Diário - libertação;
- Nome - questão importante: nome próprio, nome de família (menos), ocultação do nome, substituído por apelidos fantasiosos ou outras designações, que são como máscaras; criação de uma nova identidade;
- Desejo de popularidade, e não de celebridade - "le rêve est de se recruter un petit cercle d'amis, d'avoir son fan-club." (p. 411).

Algumas citações:

- "[...] il n'est pas naturel d'écrire sur un cahier. Du cahier à l'ordinateur, on perd l'écriture et la trace personnelle. Du cahier ou de l'ordinateur à Internet, on pert la solitude. En revanche, je ne l'ai pas assez remarqué, on récupère, à defaut de l'écriture, la trace personelle. Pas un journal que ressemble à un autre, sur Internet, chacun veut se singulariser par sa «charte graphique», ce qui m'a d'ailleurs agacé. Mais par ce biais revient quelque chose qui est de l'orde du corps... ou de la toilette..." (p. 384)

- "Ce souci de l'enchaînement des entrées entre elles, et de leurs modulations internes, je l'ai aussi quand j'écris mon journal intime. Ce n'est pas un artifice, ça se fait tout seul. C'est simplement écrire en se sentant accordé à un rythme intérieur." (p. 385)

- "Sur Internet, le journal enfin respire, il s'étend sur une chair longue, il reprend ses aises. Le fichier, comme la feuille volante, se prête à merveille à l'écriture du fragment. Le dossier, mieux que le cahier, à l'accumulation indéfinie. Et le site est un jardin avec allées, ronds-points et perspectives, qui transpose, sans le réduire, le temps dans l'espace." (p. 422)


domingo, 16 de outubro de 2011

Escrever no ecrã II

Continuação da leitura de:

Philippe Lejeune, «Cher Écran...»: Journal personnel, ordinateur, Internet, Paris, Seuil, 2000.

Já na segunda parte, "Voyage, 1999" Lejeune apresenta a sua experiência na Web - um diário de aprendizagem, em linha durante um mês. Deste, destaque para a entrada "samedi 30 octobre", em que se sistematizam algumas ideias e se iniciam as conclusões. Aqui, discutem-se duas tendências destes diários - crónica ou diário -, como se pode observar nos seguintes excertos:

1- "En gros il y a deux tendances opposées (mais parfois associées): la chronique d'humeur et le journal intime." (p. 233)

2- "La chronique d'humeur puise souvent dans les petits faits de la vie quotidienne, mais ce n'est qu'un prétexte. Cela tient du billet journalistique et de l'atelier d'écriture. Un se trouve un petit sujet chaque jour. Tendance générale plutôt libertaire. Ça va rebondir avec les courriers qu'on reçoit, opinions discutées, expériences partagées, etc." (p. 233)

3- "le journal intime, lui, est en géneral du genre factuel et systématique (emploi du temps) et parfois impudique ou indiscret" (p. 233)

4- "La chronique provoque a la discussion. Elle suppose un effort de composition, et très souvent la recherche d'un "ton" [...] On se fait une voix reconnaissable, un style plus ou moins marqué, on pousse sa personne au personnage." (p. 234)

5- "Le journal quête la sympathie. Il repose sur le laisser-aller, prenez-moi comme je suis, on veut intéresser par une peinture fidèle et détaillée de sa vie, et non séduire par le charme de sa conversation. La composition est plus lâche." (p. 234)

6- La chronique est souvent une sorte de flirt avec le journal intime, elle le frôle, elle le taquine, mais finalement l'évite, ou plutôt c'est lui qui se dérobe." (p. 234)

7- "Difficile de généraliser sur des chiffres si faibles, mais les chroniques semblent mieux survivre que les journaux intimes." (p. 235)

[Para outro dia, a leitura de "Épilogue, 1999-2000". Fica a interrogação: Que tendência segue este blogue? Crónica ou Diário?]

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Escrever no ecrã

Primeiras leituras de:

Philippe Lejeune, «Cher Écran...»: Journal personnel, ordinateur, Internet, Paris, Seuil, 2000.

Até agora, parece interessante e com matéria para reflexão, mas já datado. Realmente, é inegável que os meios informáticos  e a Web, em particular, se desenvolvem a uma velocidade vertiginosa e que os estudos de ontem se apresentam já com atraso. Neste estudo, a  manutenção de um diário online parece ser uma coisa ainda rara, nomeadamente em França. Que distância!

Todavia, registem-se algumas questões levantadas a propósito da escrita no ecrã:

- Traço;
- Distância;
- Correcção;
- Confidencialidade;
- Releitura;
- Virtualidade;
- Comunicação.

Na primeira parte do livro, Lejeune analisa as ligações entre o caderno (escrito à mão, em papel) e o ficheiro digital; só na segunda parte reflecte sobre a escrita online, considerando que, em muitos casos, esta escrita "intimista" evoluiu do caderno e da caneta ou lápis para o ecrã, primeiro guardado em ficheiros, depois publicado, o que não impede que, por vezes, ocorra em vários suportes e registos...

Qual terá sido o percurso dos leitores deste espaço? Primeiro o caderno, depois o ficheiro secreto, e só recentemente o blogue?...