Lembrou-se deste poema, que impressionou Meninos e Meninas, certo Dia Mundial da Poesia, ainda que as verbalizações sobre ele nem sempre tenham sido as mais delicadas...
Seja como for, a verdade é que de todas as vezes que o lê ocorre-lhe a imagem de um homem jovem, em posto de gasolina, num filme dos anos 50/60. Alguém conhece tal imagem, fotografia que possa acompanhar as palavras desta entrada?
Poiso a mão vagarosa no capô dos carros como se afagasse a crina dum cavalo. Vêm mortos de sede. Julgo que se perderam no deserto e o seu destino é apenas terem pressa. Neste emprego, ouço o ruído da engrenagem, o suave movimento do mundo a acelarar-se pouco a pouco. Quem sou eu, no entanto, que balança tenho para pesar sem erro a minha vida e os sonhos de quem passa?
Carlos de Oliveira, Trabalho Poético, Lisboa, Livraria Sá da Costa Editora, 1998.

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