O primeiro poema é uma cantiga de amigo, uma das mais belas; as quadras também cantam o amor e os seus perigos, e desafios, pois então!
Sedia-m'eu na ermida de San Simion
e cercaron-mi as ondas, que grandes son:
eu atendend'o meu amigo,
eu atendend'o meu amigo!
Estando na ermida ant'o altar,
(e) cercaron-mi as ondas grandes do mar:
eu atendend'o meu amigo,
eu atendend'o meu amigo!
E cercaron-mi as ondas, que grandes son,
non ei (i) barqueiro, nen remador:
eu atendend'o meu amigo,
eu atendend'o meu amigo!
E cercaron-mi as ondas do alto mar,
non ei (i) barqueiro, nen sei remar:
eu atendend'o meu amigo,
eu atendend'o meu amigo!
Non ei i barqueiro, nen remador,
morrerei fremosa no mar maior:
eu atendend'o meu amigo,
eu atendend'o meu amigo!
Non ei (i) barqueiro, nen sei remar,
morrerei fremosa no alto mar:
eu atendend'o meu amigo,
eu atendend'o meu amigo!
Mendinho
Alexandre PInheiro Torres, Antologia da Poesia Trovadoresca Galego-Portuguesa, Porto, Lello & Irmãos Editores, 1987.
Estimo e estimarei,
sentada numa almofada,
a fiar continhas de ouro,
salta cá, minha esposada!
Uma quarta de sabão
pra lavar o coração.
Uma faquinha amarela
para cortar a goela.
O meu amor é José
e eu queria um Joaquim.
Com tanto home no mundo
algum há-de ser pra mim.
(Luísa Dacosta)
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