"A conversa recai sobre algumas figuras nacionais muito em voga. Num país como o nosso - rico de sentimentos, escasso de convicções -, todo aquele ou aquela que afirme opiniões de forma peremptória passa logo ao estatuto superior de personalidade. Invejável condição que confere, a quem dela beneficie, consideração e impunidade.
Quanto às ditas opiniões, pouco interessa averiguar do seu bom fundamento, tudo está no tom com que se enunciam. É quanto basta.
De facto, entre nós, o elogio ou, o seu contrário, a maledicência, raras vezes exprimem espírito crítico."
Marcello Duarte Mathias, Diário de Paris: 2001-2003, Lisboa, Oceanos, 2006, p. 261.
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