A televisão, os jornais, a vida de todos os dias, seja na esfera privada, seja no espaço público, não deixam dúvidas de que vivemos em tempos sombrios. Para os entendermos, para não esmorecermos, socorramo-nos dos melhores livros. Desta vez:
Hannah Arendt, Homens em tempos sombrios, Lisboa, Relógio d'Água, 1991.
Recorte do ensaio sobre Lessing - "A humanidade em tempos sombrios: Pensamento sobre Lessing" - , para meditar:
"São cada vez mais os habitantes dos países do mundo ocidental, que desde o declínio do mundo antigo considerou a liberdade em relação à política como uma das suas liberdades fundamentais, a exercer esta liberdade, retirando-se do mundo e das suas obrigações para com ele. Este alheamento do mundo não prejudica necessariamente o indivíduo; até pode permitir-lhe cultivar grandes talentos, elevando-o ao grau de génio, e por esse desvio o tornando uma vez mais útil ao mundo. Mas com cada um desses alheamentos verifica-se uma perda quase palpável para o mundo; o que se perde é o espaço-entre particular e geralmente insubstituível que deveria ter-se criado entre esse indivíduo e os seus semelhantes."
"A humanidade em tempos sombrios: Pensamento sobre Lessing" in Hannah Arendt, Homens em tempos sombrios, Lisboa, Relógio d'Água, 1991.
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