Diz a memória que os primeiros contactos com o grande Poeta se deram nos bancos de escola (cadeiras, sejamos precisos). Desde então não se esgotou o fascínio por esta poesia, especialmente pela lírica.
Neste início de 2º Período, estuda-se a lírica camoniana, o que tem despertado algum interesse e gosto entre os adolescentes. Hoje, uma breve ficha sobre um poema lembrou leituras e emoções antigas. Foi este o soneto escolhido:
Está o lascivo e doce passarinho
com o biquinho as penas ordenando,
o verso sem medida, alegre e brando,
espedindo no rústico raminho.
O cruel caçador (que do caminho
se vem calado e manso desviando),
na pronta vista a seta endireitando,
lhe dá no Estígio Lago eterno ninho.
Dest'arte o coração, que livre andava
(posto que já de longe destinado),
onde menos temia, foi ferido.
Porque o Frecheiro cego me esperava,
pera que me tomasse descuidado,
em vossos claros olhos escondido.
Luís de Camões, Lírica Completa-II, Lisboa, INCM, 1994.
Sem comentários:
Enviar um comentário