Marc Chagall
Como és bela!
Os teus olhos são como pombas.
A Esposa - Como és belo, meu amor! Como és encantador!
O nosso leito é um leito verdejante, as vigias da nossa casa são de cedro, os nossos artesonados são de cipreste.
Eu sou o narciso de Saron,
o lírio dos vales.
O Esposo - Como o lírio entre os espinhos,
assim é a minha amiga entre as donzelas.
A Esposa - Como a macieira entre as árvores da floresta,
assim é o meu amado entre os jovens;
anelo sentar-me à sua sombra,
e o seu fruto é doce à minha boca.
Ele introduziu-me na sala do festim,
e o estandarte que desfraldou sobre mim, é estandarte de amor.
Confortai-me com uvas passas,
fortalecei-me com maçãs,
porque desfaleço de amor.
A sua mão esquerda descansa sobre
a minha cabeça,
e a sua direira abraça-me.
O Esposo - Conjuro-vos, ó filhas de Jerusalém,
pelas gazelas e corças dos campos
que não acordeis nem perturbeis a minha amada,
antes que ela queira.
[...]
A Esposa - Durante a noite, no meu leito,
busquei aquele que a minha alma ama;
procurei-o mas não o achei.
Levantei-me e percorri a cidade,
as ruas e as praças,
em busca daquele a quem a minha alma ama;
procurei-o e não o achei.
Encontraram-me os guardas
que faziam a ronda na cidade.
«Vistes, acaso, aquele a que a minha alma ama?»
Mal passara por eles,
encontrei aquele a quem a minha alma ama.
Agarrei-me a ele e não largarei mais,
até que o tenha introduzido na casa de minha mãe,
no quarto daquela que me concebeu.
O Esposo - Conjuro-vos, ó filhas de jerusalém,
pelas gazelas e corças dos campos,
não desperteis nem perturbeis a minha amada;
antes que ela o queira.
"Cântico dos Cânticos", in Bíblia Sagrada, Lisboa, Difusora Bíblica, 1981 (excerto).

E que bem escolhido o Chagall para ilustrar o Cântico dos Cânticos!
ResponderEliminaradoro! é lindíssimo e chegou a dar-me jeito na faculdade por causa dos místicos barrocos!
ResponderEliminar