o casebre numa faixa de negro plúmbeo
uma bíblia em cada quarto
os amantes açoitam-se com maias palavras
(o girassol nocturno que esfregam das mãos em fúria)
o homem alivia-se da sua inteligência
lendo é olhado
tem no dedo a brasa da atenção
ela roça vestígios pelo tapete
como quem conta
os inteiros degraus da queda
não sabem ainda quantos são
para partilhar uma sombra
Frederico Pedreira. A Noite Inteira. Lisboa: Relógio d'Água, 2017.
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