Meus olhos apagados,
Vede a agua cahir.
Das beiras dos telhados,
Cahir, sempre cahir.
Das beiras dos telhados,
Cahir, quasi morrer...
Meus olhos apagados,
E cansados de ver.
Meus olhos, afogae-vos
Na vã tristeza ambiente.
Cahi e derramae-vos
Como a agua morrente.
Camilo Pessanha, Clepsydra, Lisboa, Relógio d'Água, 1995 (edição crítica de Paulo Franchetti).
[A beleza, um bálsamo para estes dias cansados.]
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