Está patente no Museu do Oriente, em Lisboa, uma interessante exposição sobre o chá, desde as suas origens, na longínqua China, até à sua expansão comercial, social e cultural pelo globo. Esta mostra organiza-se em sete núcleos: “Planta do chá e respectivo
cultivo”, “Bules yixing”, “Transporte e comércio”, “Porcelana chinesa de
exportação associada ao chá e outros utensílios com ele relacionados (caixas e
chávenas de chá em materiais exóticos)”, “O chá na China e no Japão”, "Ambientes
associados ao chá (chá na Europa)”, “Serviços de chá em porcelana europeia e
prataria portuguesa”.
Na história desta bebida e na evolução do seu consumo, destaca-se o seu papel privilegiado no convívio e nos prazeres delicados tanto das elites, como de outros quadrantes da sociedade. De facto, se durante os séculos XVII, XVIII e XIX, o consumo de chá era um sinal de prestígio, hoje em dia tal prática democratizou-se, embora matenha ainda vestígios de requinte e de exotismo, seja pelos utensílios usados, seja pela história milenar da bebida, seja simplesmente pela beleza tranquilizadora da preparação do "chá". O prazer de uma pausa no curso dos trabalhos para receber os amigos ou para um momento a sós está acessível a todos, de uma forma simples, basta haver disponibilidade interior.
Para além dos aromas e dos sabores, também a contemplação da planta e da sua transformação é fonte de contentamento. Todo o chá consumido resulta de uma mesma planta, a Camellia sinensis (a produção açoreana - Gorreana e Porto Fomoso - é desta espécie), sendo o tipo de folhas usado e o processamento pós-colheita a determinarem a classe de chá que se irá obter: Branco, Verde (o mais comum no Oriente), Azul ou Oolong, Preto e Pu-erh (o único que passa por um processo de fermentação). Estas classes subdividem-se em tipos, que resultam dos seguintes factores: variedade do arbusto, localização geográfica, altitude, clima, solos, colheita, processamento, armazenagem, preparação da bebida e outras condicionantes idiossincráticas.
A exposição que está no Museu do Oriente apresenta várias amostras de chá, dá a conhecer a história da produção e comercialização da bebida, e ainda nos mostra os materiais usados nos utensílios de consumo: a cerâmica, a porcelana, a prata, a tartaruga das taças, chávenas, bules e outros ou a madeira das mesas próprias, por exemplo. Também não esquece o papel pioneiro de Portugal na divulgação deste produto no Ocidente, quer por acção dos jesuítas, quer por acção de Catarina de Bragança, que prestigiou o consumo de chá na corte inglesa, antes da duquesa de Bedford instituir o "chá das cinco" no século XIX.
[As informações e as imagens foram retiradas do site do Museu, do catálogo da exposição, da própria exposição, claro, e do excelente curso "Um Chá no Museu", ministrado naquele espaço museológico por Luís Mendonça de Carvalho, director do Museu Botânico de Beja.]



Sem comentários:
Enviar um comentário