sábado, 28 de janeiro de 2017

Voz

ANJO ASSUMPTO

Chamar-Te é um sopro. O assobio
dos pássaros na enseada.
Baixa a colina agora e segue
o fio da minha voz. O azul do mar
assimila-nos a si. O Teu
nome vai perder-se no estuário
que nós víamos no cimo da
 muralha. Desprezo o eco. Nada
Te chegará de tudo isto
que é o real. Ventos, sons, o mar,
a voz são uma mancha inconsis-
tente no único espaço que nos une.

Fiama Hasse Pais Brandão, Obra Breve, Lisboa, Assírio e Alvim, 2006, p. 355.

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