Carta ao Mar
Ó ondas fugitivas...
Camões
Largo Oceano, velho deus limoso,
Coração sempre lírico, choroso,
E terno visionário, meu amigo!
Das bandas do poente lamentoso
Quando o vermelho sol vai ter contigo,
- Nada é mais grande, nobre e doloroso,
Do que tu, - vasto e húmido jazigo!
Nada é mais triste, trágico e profundo!
Ninguém te vence ou te venceu no mundo!...
Mas também, quem te pôde consolar?!
Tu és Força, Arte, Amor, por excelência! –
E, contudo, ouve-o aqui, em confidência:
- A Música é mais triste inda que o Mar!
Gomes Leal, Antologia Poética: entre a diferença e o excesso, Lisboa, Rolim, col. Ilhas, s. d. (estudo e selecção de textos de Cecília Barreira).
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