sábado, 19 de novembro de 2011

Espelhos repentinos

"Uma gata no Ginjal"
(Fotografia da autora de Um jeito manso)


As pessoas são deveras cativantes e ainda mais. Vamos pela rua, entregues aos nossos pensamentos centrípetos, quando de repente, não mais que de repente, somos despertados, quase absorvidos, por um súbito olhar, que (se) nos revela. A face reflecte a alegria, a cintilação da simpatia... os olhos abrem-se ao susto da luz, que brilha no cinzento outonal e fixa o instante...
Depois, são correrias ao longo de incertas paredes musgosas, danças de esconde-esconde, dizeres de faz-de-conta. Até que
                                                             Até que um vulto se perde na distância, orelhas baixas, olhos de névoa e fechamento.
Caiu em si e na sua condição, regressa a habituais andamentos, procura espelhos outros? Como sabê-lo, se tudo é ausência e cerração?

2 comentários:

  1. Leitora,

    Como lhe agradeço...

    Que belíssimo texto e como valoriza a minha fotografia...

    Não me apetecia nada estar a escrever com todas estas reticências mas é que fiquei assim, suspensa, a olhar, a reler. Que bem (d)escreveu, que palavras tão acertadas e tão bonitas. Tocaram-me.

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  2. Tão bela e tão expressiva, a sua fotografia! Que feliz encontro. Tão gentis, as suas palavras!

    Eu é que agradeço, pela fotografia e ainda mais

    Um abraço

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