segunda-feira, 20 de agosto de 2012

da identidade e outras aproximações


Jean Sibelius

O calor abrasa, a letargia reflexiva instala-se. No regaço do Verão, manifesta-se uma nova ordem mental e uma vontade de mergulhar nas mais diversas águas: no mar, nos livros, nas vozes de ontem e de sempre, nos ritmos naturais, em toda a matéria que nos constitui, a nós e à natureza. As elevadas temperaturas parece que fundem os contrários, apaziguando a percepção da identidade.
Quem sou eu? - essa pergunta essencial - já não origina a fragmentação, mas sim a reunião do diverso: sou a voz da poesia, da manselinha voz, à voz viúva, grácil, que se exila na escuridão tranquila; sou a voz do vento que desfolha mágoas; sou a arrebatadora voz do mar que me leva para os longes; sou o eco sedutor, sou a respiração da terra. Sou a serenata que embala. Sou esta que aqui vem regularmente e sou a outra, a do corpo de afectos e de sangue, sou um nó rítmico, ponto de confluência do cosmos e da ínfima célula, e também de bits, já agora.


2 comentários:

  1. Um texto brilhante. As palavras dançam, juntam-se, prometem. Adivinha-se, com essa fantástica disposição, um recomeço 'em grande estilo'.

    Parabéns!

    Um abraço, Leitora.

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  2. Muito obrigada pelas suas palavras. São um incentivo tão grande! E esperemos que premonitórias, também.

    Um beijinho

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