sexta-feira, 29 de abril de 2011

Discussões inúteis ou não


Fala-se, diz-se, ouve-se discutir o fim dos livros, ora com o calor de quem perde uma confortável poltrona antiga, ora com a bonomia de quem se sabe já contemporâneo do futuro. Esta disputa provoca-me sempre algum enfado, não obstante a actualidade e a pertinência do tema; nesses momentos ocorrem-me ecos de encaloradas discussões sobre a qualidade do golo ou do passe do Ronaldo, sobre a frescura da couve ou do repolho, sobre o preenchimento exacto do modelo 31. Palavras soltas, que tão pouco dizem.
Afigura-se-me que o fim do livro não é uma realidade que possa vir a existir. Haverá lugar para o ipad e quejandos, mas também para outras formas de acedermos à palavra, mais corpóreas. Qual será a metamorfose da leitura, não o sei dizer; a minha certeza é apenas esta: a palavra continuará a interpelar-nos, corpo e alma, espírito e matéria, e será, por vezes terá de ser, irrecusável.

2 comentários:

  1. Nem sentada numa "poltrona antiga", nem, tão pouco, sabendo-me já "contemporânea do futuro", concordo que livros em suporte de papel e em suporte digital podem (devem?) coexistir.
    Confesso: sinto-me atraída pelas páginas do livro "convencional", pelo seu cheiro, pelo seu amarelecer...
    Gosto de folhear livros que há muito não lia e de descobrir uma ou outra anotação, de tentar perceber o que, na altura se me afigurou digno de registo (por vezes, não percebo e tal faz parte da "magia").
    A palavra, Ana, continuará, certamente, a interpelar-nos. Simplesmente "algumas das palavras" (aqui está um bom exemplo: Paul Éluard)parecem ter sido tecidas para o suporte em papel...

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  2. Querida Ana,

    Também reconheço esse prazer do livro de que falas! E concordo contigo sobre o facto de a palavra poética, literária, necessitar de papel. Outras, mais informativas, talvez possam existir sem ele...
    Obriga pelo teu comentário!

    Bj

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