Albrecht Durer, Melancolia (1514)
Às vezes não é uma questão de a vida ser boa ou má, é somente uma questão de temperamento. Uns são mais introspectivos e pessimistas, outros mais alegres e abertos ao exterior. Não temos de ser todos positivos, dinâmicos, sociáveis, pelo menos não sempre. A uns quantos coube em sorte esticarem o sofrimento para lá do razoável e gostarem de contemplar o lado escuro dos dias. Que fazer? Esperemos que também possam ver a plena luz do sol e deliciarem-se com isso, mesmo que precisem de um empurrãozinho ou de umas palavras amigas.
Os antigos, que reconheciam a continuidade existente entre o espírito e a matéria, o corpo, a natureza e o cosmos, desenvolveram a doutrina dos quatro humores, que evoluiu para doutrina dos quatro temperamentos, de que se apresenta uma brevíssima síntese nos dois quadros seguintes. Assinale-se que desde cedo as várias designações de temperamentos conheceram significações distintas, pois tanto podiam indicar estados patológicos, como meras aptidões constitutivas dos indivíduos.
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Temperamento
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Planeta
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Características
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Colérico
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Marte
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Irascível e impetuoso, ardente, rápido
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Sanguíneo
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Júpiter
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Dado ao convívio e à sociabilidade, sedutor, alegre
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Fleumático
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Vénus (lua)
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Preguiçoso, tímido, sem rancores, calmo
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Melancólico
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Saturno
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Triste, solitário, controlado, capacidade de entrega e dedicação
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Tendo em vista o tratamento da depressão e da ansiedade, ou tão só do cansaço de viver, recordam-se dois livros de medicina, que não se incluem nos ditos "livros de auto-ajuda":
- Frida Ergas, Viver sem stress, com o método sofrológico, Lisboa, Europa América, 2001.
- David Servan-Schreiber, Guérir le stress, l'anxiété et la dépression sans médicaments ni psychanalyse, Paris, Robert Laffont, 2003.

Olá Leitora agora Marinha,
ResponderEliminarQue belo texto e que bela gravura escolheu para o ilustrar.
Esta caracterização é-me familiar. Quando andei lá nos meus estudos de Grafologia, aprendi que esta é a caracterização base para interpretar a escrita.
É logo o que salta à vista pela mancha global da escrita. Há as criaturas sanguíneas cuja letra se expande, solta, fluente. E há a escrita violenta, cheia de força, com uma energia atravessada por traços de agressividade. E há a escrita mole, sem energia, sem motivação. E há a escrita apertada, pensada, soturna.
Quando se pega na escrita de pessoas que conhecemos, torna-se muito evidente. E isto nasce com a pessoa. A letra, neste aspecto, não se altera. Há aspectos, na escrita, que são conjunturais (nervosismo, variabilidade, impaciência, alegria esfuziante, etc) mas há outros que são imutáveis.
Acho que já lhe contei que, por exemplo, eu que tenho esta coisa de gostar de interpretar a escrita e que sei o significado das coisas, quando escrevo, escrevo espontaneamente, incapaz, por exemplo, de mudar a inclinação, a forma como as letras se juntam, como as palavras ou as linhas se distribuem na folha.
No entanto, não é por acaso que a grafologia é usada em psicologia: é que há manifestações que apontam para aspectos que merecem alguma correcção ou tratamento.
Um dos casos extremos será o da tendência para o suicídio. Há aspectos na escrita que dão indicações nesse sentido. E, uma vez detectados, dever-se-á, claro, tentar perceber o que se passa por forma a tentar que essa vontade desapareça.
Mas, enfim, o que escreveu não é sobre grafologia pelo que me calo já. Mas gostei muito do que escreveu. Como sempre está muito bem descrito e fundamentado.
Um beijinho e bom fim de semana, Leitora.
O que me diz é muito interessante. Desconhecia a importância da doutrina dos temperamentos para a grafologia, assim como não sabia quase nada desta ciência até ter referido os seus estudos, aqui e no seu blogue. Cada vez me parece mais fascinante.
ResponderEliminarA letra, a nossa letra, é mesmo única, como uma impressão digital, mas mais expressiva, tendo em conta o que vai esclarecendo sobre a sua força reveladora.
Fico a pensar nestas questões tão interessantes e lembro-me de pintures para quem o gesto, o traço livre ou o sentido matérico da pintura é, de diferentes formas, parte integrante e manifesta da sua obra: Pollock, Rothko ou Eurico Gonçalves...
Tenha um muito bom sábado, abrasador