terça-feira, 1 de maio de 2012

Dever de ofício


Hoje a leitura é por dever de ofício. Preparam-se as aulas de amanhã, especialmente o episódio chamado "A epopeia da pedra", do Memorial do Convento, obra de estudo obrigatório no 12º ano, ou não fora o seu autor o único nobel da literatura português.
Não deixa de ser irónico que, no dia do trabalhador, se trabalhe arduamente um romance e um capítulo em que os operários, construtores do convento de Mafra, são os protagonistas. A estes, pelo menos, já foi feita justiça, se justiça é a narrativa das suas vidas inventadas, à qual nem faltam os nomes próprios.  Fica assim reconhecido o valor do seu labor, trezentos anos depois, ou quase, e assegurado o seu futuro, pois que, desta forma, são os homens arrancados à escuridão das eras e lançados nos assentos da História. Só aquela que lê e elabora fichas de trabalho, guiões e outros instrumentos didácticos de alto calibre não verá a justa recompensa das suas horas esforçadas; já são menos 23%, repostos nunca, talvez no ano de 2018, dizem, ou será 2050? O pecúlio é uma miragem, o reconhecimento é nulo, o futuro será um charco de lamentações, sem nomes próprios de culpados, talvez só um nome comum se aponte - professores. Ainda por cima. Será por o trabalho não ser braçal, só dos dedos ligeiros, que o resto do corpo, exceptuando os olhos, se entrega à imobilidade?

2 comentários:

  1. Uma palavra de ânimo para uma Leitora e Professora, esforçada e mal paga, trabalhando no Dia do Trabalhador.

    A profissão de Professor(a) é das mais dignas que existem pelo que, apesar de tudo, deverá sentir sempre um imenso orgulho. Professo(a) da Língua Portuguesa, então, é um orgulho maior.

    Bem hajam os professores de Português, Leitora!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Obrigada pelas palavras!

      Apesar de todas as queixas, tenho muito gosto em ser professora de Português e, modéstia à parte, também considero que esta é uma profissão digna.

      Um beijinho

      Eliminar