Início da leitura de Adoecer, de Hélia Correia. Um deslumbramento.
"Gravaram os seus nomes num dos troncos. Porém a casca, resistindo, não deixou que as letras se inscrevessem limpidamente. Ficou um sofrimento vegetal, uma ferida a escorrer sobre um borrão. Eles não repararam. Estavam antes de todos os sinais do romantismo, antes de toda a construção mental. O lodo cintilava-lhes nos fatos como cintilam coisas funerárias. Mas esses dados da melancolia não encontravam quem os entendesse. [...]"
Hélia Correia, Adoecer, Lisboa, Relógio d'Água, 2010.
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