terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

O poema não cabe no teste

[Folhear, folhear livros de poesia e não encontrar um poema que sirva a resposta fácil. Este, por exemplo, tão belo, nunca seria escolhido.]
 
 
 
Visto de perto é a melancolia.
Assim todas as manhãs a de hoje e a seguinte.
 
 
Visto de perto não é barco é melancolia.
 
 
João Miguel Fernandes Jorge, À beira do mar de Junho, Lisboa, Na Regra do Jogo, 1982.
 

2 comentários:

  1. E porque não, Leitora, se ensina a liberdade?

    Quando eu tinha 13 anos, numa aula de Religião e Moral, o professor que era padre e depois deixou de ser, um dia escreveu no quadro:

    Por fora
    tudo é fácil e vão
    Por dentro das coisas
    é que as coisas são

    Não sei porquê mas estas palavras escritas a giz no quadro abriram a porta de um outro mundo que eu, até então, desconhecia. Nunca mais me esqueci nem do pequeno poema nem do que ele provocou em mim.

    Mas tenho ideia que a maior parte dos meus colegas riram a bom rir com a simplicidade do poema. Não sei se ainda algum deles se lembra dele mas bastaria que apenas eu ainda me lembrasse para que tivesse valido a pena. Basta que apenas uma pessoa seja tocada pela graça de um poema para que valha a pena dá-lo a conhecer.

    E continue a amar a sua profissão e a amar a língua portuguesa e a ensinar a liberdade que é quanto basta para ser uma boa professora.

    Um beijinho Leitora!

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  2. Já me comovi. Obrigada pelas suas palavras. Hoje, que estou especialmente cansada.

    Um beijinho

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