sábado, 28 de abril de 2012

Regresso aos livros

Finalmente Fernando Pessoa, plural como o universo, na Gulbenkian; já todos tinham visto e aconselhado esta exposição, só ela tardava, solicitada pelas múltiplas tarefas e obrigações. Valeu a pena, tanto pela exposição, como pelo passeio; de facto, o jardim e o edifício da Fundação constituem um dos lugares mais agradáveis de Lisboa.
Como de costume, as famílias, os amigos, os namorados, as pessoas (des)acompanhadas, ou quaisquer outras combinações, flanavam harmoniosamente pelos caminhos, pela relva, por aqui e por ali, sempre rodeados de vegetação fresca, de água corrente, de patos e de pombos, claro; como de costume, o almoço no restaurante do CAM foi óptimo e simpático.  
Mas vamos à exposição. Logo à entrada, a fotografia do poeta caminhando por Lisboa e o início do labirinto, com os heterónimos em primeiro plano. Entretanto, projecção de frases e versos pessoanos, mostra de manuscritos, dactiloscritos e publicações de poemas, citações, silhuetas, explicações e um inquietente espelho multifacetado, desdobrando o visitante... Depois do labirinto, uma vasta zona com obras publicadas de Pessoa, a famosa arca, manuscritos, velhos cadernos do poeta,  novas projecções de versos, agora sobre superfície "incerta", vídeos, com destaque para a multidão urbana, sempre a mesma e sempre outra, na passagem por uma rua qualquer. Só a geração modernista contemporânea de Fernando Pessoa estava parcamente representada, muito incompleta (é pena). Ressalve-se o facto de a organização da mostra concretizar alguns dos temas/leitmotiv deste poeta e do modernismo: o labirinto, o espelho e a refracção da imagem, a coexistência de várias linguagens e suportes.

Exposição a não perder, continua até seis de Maio.


Este passeio não estaria completo sem uma passagem por livrarias: a da Gulbenkian e a Fnac. Livros novos para os próximos dias.

Ei-los



O livro preto é o último de Inês Fonseca Santos -  As coisas. Após uma leitura muito rápida, reconhecem-se dois termos enigmáticos: as coisa, o teu nome. Estes poemas chamam novas leituras, por agora, aqui fica um deles, muito belo, que ensina a esperança:


AS COISAS IRREPARÁVEIS

Arrumo a casa. Encontro minúsculos vestígios
das coisas irreparáveis. Em cada uma, metade
de uma letra do teu nome. Junto-as.
Reaprendo a dizê-lo de uma forma diferente, quase nova.


Inês Fonseca Santos, As coisas, Lisboa, Abysmo, 2012. 


2 comentários:

  1. Museus, escritores, livros, passeios no jardim - coisas boas da vida.

    E bons livros os que escolheu.

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  2. Foi um belo dia. Em parte inspirado pelo seu "post", no Um jeito manso", com a reportagem do dia em que visitou esta exposição, tão bem disposta.

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