domingo, 29 de janeiro de 2012

O futuro é um despiste amargo


Avec le temps

Com o tempo
tudo passa
do possível ao improvável

Com o tempo
desabitamos
as condições do corpo
a sua assinatura

Com o tempo
descobrimos o sentido fractal
na face do Banquete
as coisas conhecidas
tornam-se sussurro

O futuro é um despiste amargo 
um vértice truncado
que se esfuma

Divorciados do acaso
afastamo-nos calados

No deserto
surdamente gritamos

Ana Hatherly

in Isabel Pires de Lima, Vozes e olhares no feminino, Porto, Edições Afrontamento e Porto 2001, 2001.

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