O PALÁCIO DA VENTURA
Sonho que sou um cavaleiro andante.
Por desertos, por sóis, por noite escura,
Paladino do amor, busco anelante
O palácio encantado da Ventura!
Mas já desmaio, exausto e vacilante,
Quebrada a espada já, rota a armadura...
E eis que súbito o avisto, fulgurante
Na sua pompa e aérea formosura!
Com grandes golpes bato à porta e brado:
Eu sou o Vagabundo, o Deserdado...
Abri-vos, portas de ouro, ante meus ais!
Abrem-se as portas d'ouro, com fragor...
Mas dentro encontro só, cheio de dor,
Silêncio e escuridão - e nada mais!
Antero de Quental, Sonetos, Lisboa, Sá da Costa, 1984.
Belíssimo.
ResponderEliminarAcabei de escrever mais um texto deprimente e lembrei-me de vir aqui a ver se havia matéria dos livros que me ajudasse a espairecer. E não vim em vão.
Que paz se respira por estes lados.
Ainda bem que lhe trouxe alguma paz. Antero também me trouxe um pouco de consolo, para os dias horríveis que aí vêm.
ResponderEliminarLi o seu texto... tudo isto é mesmo deprimente. Mas acreditemos! Uma ou outra velinha não serão em vão...